Potencializar o candidato

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As qualidades e atributos de um candidato ou, pelo menos, as que são percecionadas pelo eleitorado constituem o que normalmente se designa por imagem pública do candidato.

Será possível modificar a imagem pública de um candidato durante uma campanha eleitoral?

Sim é, porém, temos de admitir que nem sempre é fácil ou possível.

Urge, então, conhecer as qualidades e atributos do candidato, ou seja, os seus pontos fortes, para que possam ser potencializados, assim como neutralizar ou compensar os pontos fracos.

Atributos e competências como: honesto, inteligente, trabalhador, simpático e experiente, constituirão para qualquer cidadão o candidato ideal, no entanto, nos tempos que correm, já poucos eleitores valorizam ou acreditam em candidatos ideais. Contudo se o nosso candidato for detentor desses atributos ou competências devemos potencializá-las ao longo da campanha.

Em detrimento deste tipo de pontos fortes absolutos, no nosso candidato, importa cada vez mais saber identificar pontos fortes relativos, ou seja, pontos fortes em que o nosso candidato é melhor que os seus adversários. Para conhecer estes pontos fortes relativos, as sondagens e os estudos qualitativos podem ser fundamentais.

sondagens e estudos qualitativos

Nas últimas eleições autárquicas para a Câmara do Porto, o candidato Rui Moreira procurou destacar os seus pontos fortes relativamente ao candidato Luís Filipe Menezes. Rui Moreira apresentou-se como um candidato responsável, sério, genuíno e partidário, por outras palavras, sem filiações políticas.

Importa, também, compreender como determinados pontos fortes ou fracos são percecionados pelo eleitorado. Voltando ao caso acima, o eleitorado do Concelho do Porto valorizou menos a experiência autárquica de Luís Filipe Menezes que a genuína dedicação ao Porto de Rui Moreira ou o seu sentido de responsabilidade.

Um candidato que apresente pontos fortes, muito provavelmente, apresentará também pontos fracos. Importa, relativamente a estes, referir que encobrir os pontos fracos não é a melhor solução, uma vez que os concorrentes devem fazer um exercício semelhante e o seu objetivo será divulgar ao máximo os pontos fracos do candidato opositor.

Relativamente aos pontos fortes e pontos fracos relativos do candidato, é crucial saber até que ponto vai a aceitação e tolerância do eleitorado; não nos podemos esquecer da velha máxima

“o eleitorado quando gosta até perdoa os defeitos, mas quando não ama nem as virtudes tolera”.

Por esta razão, devemos ter em conta que uma campanha nem sempre decorre com a racionalidade de um matemático.

Na potencialização do candidato, é fundamental hierarquizar os pontos fortes relativos e neutralizar ou compensar os seus pontos fracos, por sua vez, promover e destacar os pontos débeis do(s) adversário(s) e contornar ou neutralizar os pontos fortes.

O “problema” é que em democracia os concorrentes também vão a jogo e vão tentar fazer exatamente a mesma coisa.

Para o ultrapassar da melhor forma há que ter sempre pronto uma espécie de plano de crise (ou de contingência), para saber exatamente qual o comportamento a adotar sempre que surja o pior cenário.

plano de contingência

Ricardo Rio, em Braga, quando lhe apontaram que era um candidato perdedor uma vez que tinha perdido duas vezes a eleição face a Mesquita Machado, respondeu “a minha determinação e amor pelo desenvolvimento dos filhos de Braga levar-me-ão a ir à luta as vezes que forem necessárias”. Transformou, assim, um ponto fraco num ponto forte, nomeadamente, em determinação e persistência.

Tal como um sonoplasta que destaca as virtudes da voz e reduz ou elimina o ruído, na potencialização do candidato devem ser destacados os seus pontos fortes e suavizar ou neutralizar os pontos fracos. Mas atenção, da mesma forma que um sonoplasta não pode descaraterizar a voz do artista, tal também não deve ser feito em relação a um candidato.

Mãos à obra

  • 4/ Dez_ 2016
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    • Reno
    • 25/ Fev_ 2017
    Responder

    Lot of smarts in that pontgsi!

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